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terça-feira, 10 de julho de 2012

Você não pode ser dono de jornal ou de uma televisão na mesma área, diz Dinis

Victor Zacharias


Alberto Dinis, jornalista com mais de cinquenta anos de carreira, dirigiu e lançou diversas revistas e jornais no Brasil e em Portugal. Leciona jornalismo desde 1963, e, em 1974, foi professor visitante da Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia, Nova York, falou essa semana sobre sua profissão, a ética, o mercado, e também regulamentação da mídia no programa: É notícia, do Kennedy de Alencar, na Rede TV.

Jornalismo
Para ele a principal a principal qualidade que um jornalista é a cultura, uma base humanística e o pior defeito é não saber contar uma história com o compromisso de buscar a verdade e ouvir os dois lados, ele pode até ser parcial, mas com grandeza.

Quanto ao posicionamento político ele deve ter, mas às claras, no entanto não deve existir no seu trabalho o lado partidário. No caso de uma empresa jornalística, na véspera de um pleito, ela deve se posicionar, isso é salutar e acontece nos Estados Unidos e na Europa.

Concessões de radiodifusão
Dinis disse que a TV aberta sofre de defeitos complicados, como o problema das concessões, da propriedade, "é preciso reformular tudo, fazer um pouquinho como os EUA tem...você não pode ser dono de jornal ou de uma televisão na mesma área, nos EUA, isto pelo menos é respeitado, a chamada propriedade cruzada"

Tem muitas coisas deformantes na estrutura, por exemplo, políticos que se auto concedem uma outorga de rádio e televisão,"é ilícito".

"Há um outro problema sério, o Brasil é um estado secular, está claro no espírito e na letra da lei, logo não pode ter emissoras religiosas, porque é uma concessão pública, pertence a sociedade". Os programas religiosos podem existir, mas não televisões religiosas (propriedade de igreja). E quando houver uma programação religiosa, é preciso saber equilibrá-la para que não seja somente de uma religião.

Conselho de Comunicação Social
Dinis, destaca: "o que nós precisamos é cumprir a Constituição". Nela há a previsão do Conselho de Comunicação Social que demorou 14 anos para ser regulamentado e funcionou somente durante um mandato, não tem nenhum poder deliberativo, mas é um Fórum onde podem ser levantadas hipóteses com o objetivo de construir alguma coisa boa para todos. 

Controle de conteúdo
O que é veiculado na televisão ou rádio não deve sofrer interferência de conteúdo, mas é preciso criar condições estruturais para que o exercício do jornalismo possa fluir sem estas pressões econômicas ou políticas. "E se você coordena ou ordena as concessões, faz uma classificação da programação de acordo com as faixas etárias, cria uma série de limitações que permite que o processo comunicativo e sobre tudo o jornalismo seja apresentado de uma forma mais equilibrada e educativa, completou Dinis.

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